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Carta de internos expõe iminente risco de morte de Servidores e a fragilidade do Sistema Socioeducativo na Capital Federal.

Uma carta interceptada na Unidade de Internação de São Sebastião – UISS, no dia 26/12/2017, deixou a comunidade socioeducativa apreensiva e perplexa, pois, a audácia dos jovens infratores internados demostra a periculosidade e o risco de vida a qual os agentes de segurança socioeducativa são expostos.

A carta foi encontrada durante uma ação preventiva dos servidores durante revista efetuada no módulo onde os internos são alojados e seria enviada aos comparsas por meio de um parente após a visita familiar.  Um dos internos relata um plano de fuga durante um resgate e passava todos os passos e a fragilidade do Sistema Socioeducativo abandonado pelo Estado.

 

Os menores infratores internados pediam para um tal de “Tio” mandar outros “menores” para resgata-los durante uma escolta, diante de uma ocorrência simulada por eles.

                                            “Ver se o senhor não coloca uns menor pra resgata noiz os agentes que faz a escolta anda sem arma… …os cara rendia ai noiz já sequestrava os agentes e matava”
Diz o interno na carta (imagem abaixo).

Nesta carta, o interno expõe que simularia uma situação dentro da Unidade de Internação, que gerasse uma ocorrência e em decorrência dela fosse encaminhado à DCA, e então, durante essa escolta, seria realizado o resgate. Nela o interno pede o apoio de três possíveis comparsas e a aquisição de duas armas de fogo. Detalham a ação afirmando aos comparsas que ao avistarem o veículo de escolta deveriam colidir com o mesmo e, após isso, almejavam não apenas a fuga, como também sequestrar e posteriormente matar os agentes ali presentes.

 

Um fato ficou nítido, os internos são cada vez mais encorajados devido à precariedade em que se encontra o Sistema Socioeducativo do Distrito Federal. Nossas escoltas são realizadas sem serem cumpridas os menores critérios de segurança. Não dispomos de coletes balísticos, os veículos utilizados são totalmente inapropriados para a realização de escoltas e, sobretudo, os agentes realizam essas escoltas desarmados.

 

No Brasil já tivemos assassinatos de internos por rivais durante a realização de escoltas. Recentemente invadiram uma unidade de semiliberdade no Ceará e mataram quatro internos.

 

Relembramos, que no Sistema Socioeducativo do Distrito Federal temos registro de dois resgates a internos durante a realização de escoltas, a qual os agentes quase tiveram suas vidas ceifadas. Nossas viaturas já foram, por diversas vezes, alvejadas por disparos de arma de fogo durante a realização de escoltas, além de outras tantas ocorrências nas quais os servidores estiveram expostos a um evidente risco de morte. Diante de tudo isso, foi promovida a criação do primeiro grupo especializado em escoltas dentro do Sistema Socioeducativo da Capital Federal, atualmente denominado de Diretoria do Serviço de Segurança, Transporte e Acompanhamento ( Disstae).  Contudo não foram concedidas as menores condições para a execução das suas atividades, persistindo assim, a falta de segurança nos mesmos moldes de antes da criação do mesmo.

 

Há muito tempo este sindicato cobra do GDF que todas as nossas escoltas sejam sempre acompanhadas por viaturas da Policia Militar, assim como nos outros Estados, o que tem sido veementemente negado até o presente momento com a justificativa também da falta de efetivo desta corporação.

Também em 2016 uma carta foi interceptada e os internos ameaçavam de arrancar a cabeça dos agentes em uma rebelião, entretanto não vemos ações por parte do Estado no sentido de prevenir tais fatos, somente ações no sentido de penalizar os servidores e de tirar a responsabilidade do Estado. ( Vide matéria do G1  (http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2016/06/carta-achada-com-jovens-infratores-no-df-tem-ameacas-de-morte-e-rebeliao.html e a tentativa de rebelião quase consumada http://www.sindssedf.org.br/noticias/tentativa-de-homicidio-contra-agente-socioeducativo-da-unire)

Há no sistema, um sentimento de total abandono por parte do Estado e que estamos jogados a sorte. Os riscos e os atentados contra a vida dos servidores, em especial dos Agentes Socioeducativos, persistem e nenhuma ação para controle dessa situação é tomada pelo Estado.

O presidente do SINDSSE/DF, Walter Marques, relatou como os servidores se sentem nesta profissão: “totalmente desamparados pelo Estado. O descaso com o servidor vai desde a falta de uma simples identidade funcional, até a negação ao porte de arma em escolta e fora das unidades. A necessidade de mais segurança nas escoltas está nítida, clara e evidente. Ou nos garantem a escolta armada, ou coloquem a Policia Militar para acompanhar. O que não podemos mais é aceitar que o Estado deliberadamente permita que agentes morram, como já foi anunciado e é de total conhecimento da gestão do Sistema Socioeducativo. Vou além, se morrer alguém do Socioeducativo, agentes ou internos, o responsável será o Estado”. 

Esperamos ações rápidas e compatíveis com essa dura realidade. Nenhum servidor deverá se expor de tal forma e não ter quaisquer garantia de preservação da sua vida, para se defender e para defender terceiros.

 

 

União é força!

Diretoria SINDSSE/DF.

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